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Charles Baudelaire

"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.


Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.


E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira".


Massa ó! Embriagai-vos, embriagaivos-vos... De poesia, de música, de amor, de fé, de amigos, de família...

Despedida e partida

Hora de partir, despediu-se o pai de seu filho. Foi último beijo, o derradeiro abraço. O candeeiro aceso no canto do quarto iluminava a despedida, o choro e a promessa de volta e uma vida melhor. Aquele dia agoniado marcou definitivamente o pequeno moleque; agora o homem que cuidaria fielmente de sua mãe na ausência paterna. Se perguntando sempre porque haveria de partir, se aqui sempre foi o lugar de seu pai. Pensou nas histórias contadas por ele, dos banhos de açude, dos dias de caça aos passarinhos que vacilavam dormindo no galho da tamarina, dos dias de jogar pião até mais tarde. Isso não seria importante ou relevante o bastante para permanecer enraizado no sertão que sempre o acolheu? Foram só argumentos emudecidos na cabeça enquanto a fumaça do candeeiro escurecia a parede branca. Um barulho de carro, possivelmente a rural havia chegado para levá-lo a rodoviária. E um triste soluço do choro que não cessava invadiu o moleque, que a bênção do pai pediu ao esticar a mão tremula e frágil. A bença, meu pai!

A partida me comove, me dói o peito!

Passeata do Romeiro

Rapaz, hoje foi o dia de passeata dos romeiros. Pense num festejo de recebimento. Todo o ano, já durante décadas, os ônibus, carros e paus-de-arara, reúnem-se para dar início oficialmente a romaria de Nossa Senhora das Dores. Os transportes dos romeiros descem a Castelo Branco e vão pela São Benedito e seguem em direção a Matriz de Nossa Senhora. Como forma de retribuir a calorosa recepção, eles jogam aos populares bom-bons, saquinhos de pipoca, salgados, dinheiro (ôpa, me empolguei! Ah, se fosse!). A festa é grande, durante mais de duas horas a carreata perdura e o aglomerado de pessoas nas calçadas também. Um sol desgraçado e os gurís a correrem atrás dos carros e como recompensa um bom-bom. hehe Lembro-me muito bem. Minha mãe enchia as garrafas de água e as colocava na geladeira, isso bem cedo. Quando estava próximo da passeata pedia para eu e minha irmã que pegássemos as garrafas e que distribuíssemos aos romeiros nos carros que apareciam com copo na mão. Às vezes um sorriso de agradecimento e às vezes um doce. Eu me importava mais com a folia. Era uma alegria só! Bons tempos aquele. As buzinas, os gritos das crianças e adultos: joga aqui, aqui!!! Daria para montar um banquinha de doces. Tem uns moleques que saem com sacos cheios a exibir aquele troféu anual. Tem que ter cuidado com os dedos do pé, se cair por infelicidade sua próximo aos seus pés, é pisada na certa. É uma briiiga dos infernos. No final fica tudo bem, desamassa a roupa e fica na expectativa do próximo arremesso a distância. Sim, é bom ter cuidado com a testa. Se não tiver um bom reflexo, sangue no olho é melhor nem ir para a calçada nessa tarde. Velho, a pesar dessa folia completa tem meninos que voam nos carros sem cuidado algum, é guri pra lá, guri pra cá, um empurrão aqui, um murro ali... E por aí vai. É um disputa e vejo a hora de um morrer debaixo de um carro daqueles. Avi Maria... Meu Padim Ciço, protege-os... O Senhor sabe que a vida deles vale mais que um bom-bom. Amém! hehe É sério! Depois de muito barulho e após umas duas horas com o encerramento da passeata, a rua fica deserta... Um silêncio! E infelizmente muita sujeira na rua e nas calçadas. Dá até pra procurar os doces perdidos que ninguém viu onde caiu. Isso é uma estratégia da infância. hehe Agora, assisto tudo a distância, não com medo de levar uma bombonsada, mas eram as coisas de criança, (Já pensou eu correndo, desesperado em busca de um doce? Meio louco isso!) passei o legado para meus sobrinhos que hoje faltaram aula para fazerem o que fiz a muito tempo.

Foi boa, ó!
Valeu Cambada!

Um grilo não merece misericórdia!

Cri, cri, cri, cri...

Quem disse que o blog também não pode ser usado a utilidade pública? Principalmente para informar a população blogueira que não deve-se ter piedade de um grilo que esteja a paisana em sua casa. Ontem quando estava concentrado nas postagens do blog, percebi um maldito grilo passando para se esconder atrás da pia. Eu, inocentemente deixei-o livre: ah, deixa o bichim viver mais uns dias a propagar o seu cri, cri noturno. Velho, foi a pior coisa que já fiz! Eu senti piedade dele a princípio, mas agora sinto ódio desse barulhento e desafinado, se pudesse voltaria no tempo e o esmagaria ou arrancaria seu pescoço com uma faca de cortar pão. hehe Nesse momento ele está cricando, que coisa mais insuportável. Eu não mereço isso! O pior de tudo, é que não consigo pegá-lo, esse miserável entrou em alguma caverna trás da pia e que fica próximo ao meu local de descanso. Já cutuquei o espaço um trilhão de vezes, ele para por alguns segundos e volta novamente com aquela música de uma nota só. Estou pesquisando na Internet qual o tempo de vida desse desgraçado, pois pelo jeito, não vou conseguir assassiná-lo nunca, o que me resta é esperar que ele morra por morte morrida, asfixia ou ataque cardíaco fulminante. O que me deixa puto, cambada, é o simples fato de ele não variar seu respertório e da insistência de fazer seus shows depois das 22:oo h. Já pensou que fuleragem? E continua minha saga pega decapitação do grilo. Seu eu conseguir eu tiro uma foto da cabeça dele e posto no blog. hehe

Foi boa, ó!
Valeu Camabada!

O poeta!

Explode no peito uma vontade de saber onde esconde-se o amanhã, onde dorme a noite e descança as estrelas. Foi o questionamento desbravador que perturbou o sono e o sonho de Fred. Tantas coisas a pensar e justamente sobre isso indagou-se. Estaria errado não preocupar-se em não perder o programa das 17 h? Equivocado estaria em negar os conceitos e predeterminações do mundo? Todos roboticamente o criticavam: menino louco! Fred taciturno matutava em pensamentos, preferível louco a me estagnar em seus arranjos e teias cheia de ócio. E todos curiosamente perguntavam quem era Fred, quem era ele para ousar diferenciar-se dos esteriótipos sociais padrões e chipados.
Fred era poeta!
Ao meu irmão e poeta Wendell
Foi boa, ó!
Valeu Cambada!

Maria

Outrora já havia me questionado a respeito do breve sopro que é a vida, tendo que acomodar-me e entender o breve espaço entre nascer e morrer. Por que não nos concederam a longevidade matusalênica? E no próximo dilúvio afogaríamos todos os dias dos 969 anos de passados e futuros, assistidos pelas retinas, aí, contente eu beberia toda a água até os pulmões enchaarcarem,assim como minha carne de tantos sóis e chuvas. Será que são únicos meus questionamentos ao ponto de caracterizá-la como um delírio jovial ou repulsa ao mármore frio do cemitério? Tantos dias ainda viverei, amores e decepções, vitórias e reencontros ao acaso, encontros e despedidas. E ainda me remeto ao fato melancólico da morte! Decerto, quando a pensar, uma conclusão intuitiva ou até ingênua brota como luz no fim do túnel: talvez não tema a morte, assim como ela teme a vida, porém eu a tema pelo fato de morrer antes de amar Maria.

Foi boa, ó!
Valeu Cambada!

Memória de uma criança godinha

Rapaz, aos que me conhecem fica difícil esconder que a criança era eu, eu devia ter colocado um falso nome, num era? Vamos lá! Sabe aquela criança que mais parecia um filhote de baleia branca perdida no oceano pacífico? Pois é cambada, esse alguém era eu perdido no mar de guri na escola. Lembro-me muito bem do primeiro dia de aula... eu chorei! E a besta daquela professora para conter minha lágrimas, bestialmente dizia: "Fofinho, se você continuar chorando eu vou colocá- lo no quarto da bruxa". Rapaz, aí era que eu caía no choro. Aqui tem uma casa da bruxa?! Que forma mais idiota e tosca de convencer-me de cessar meu choro. Esse foi o primeiro dia na escola e para minha consciência infantil queria que nunca houvesse o segundo. Aquela escola parecia um quartel general ou uma prisão para jovens detentos. Crianças gritavam, choravam, se beliscavam e até se mordiam... E eu chorava! Aquelas filas de cadeiras e o quadro negro, só me diziam uma coisa: eu quero minha mãe! Ficava ancioso a espera do toque de soltura, literalemente, aquele sino estridente da 11 horas da manhã, era a corneta dos anjos. Ah, que alívio, liberdade de novo! Toda manhã era a mesma peleja, inventava uma dor de cabeça, pontadas na barriga, diarréia, má digestão, furúnculo... Enfim, tudo quanto era doença para convencer minha mãe de não me mandar naquela escola. Não tinha jeito, eu acabava nos pratos, e chegava na escola com os olhos esbugalados de tanto choro. Na hora da despedida era aquele lamento todo: mãe pelo amor de deus, nosso senhor e nossa senhora, não me deixe aqui, eu vou morrêêêêr! Foi assim o ano inteiro, já me conheciam como o gordinho chorão. O filhinho da mamãe, ah, vão catar coquinho numa plantação de milho! O ano letivo acabara e eu convenci minha mãe que me transferisse para outra escola, talvez mudando eu pudesse mudar meu comportamento repulsivo escolar. Rapaz, minha mãe concordou e no ano seguinte estava vivendo a mesma rotina, porém desta vez parecia que minhas conclusões estavam certas e eu acabei me acostumando e ao invés de chorar para não ir a escola, chorava para estar lá. hehe

Foi boa, ó!
Valeu Cambada!

Infância, amor e amigos

Hoje lembrei dos meus amigos das antigas, a galera com a qual já compartilhei momentos e sensações únicas. Lembro-me das juras que fazíamos: bicho, não vamos deixar de nos ver nunca, sem viadagem. hehehe De fato sempre que podemos nos encontramos e jogamos conversa fora e relembramos aqueles fatos Hilários, pitorescos e é claro os momentos de fria. E é claro, a gente tesoura pra cacete! Ê, velho. São tantos amigos que já deixei ou melhor que o tempo e o movimento da vida levou. São muitos os que já não mais os vejo e os que já não nos falamos com tanta frequência quanto as bobeiras que falávamos no intervalo da escola. É é claro, quando a gente flertava com as meninas e as promessas de amor eterno que distribuíamos e não durava nem uma semana.
Em especial gosto de lembrar de meu antigo amigo do fundamental. O kra tinha uns Kg em demasia, falando a verdade ele era um pouco mais gordinho do que eu. E aí nos chamávamos de os gordinhos. Velho, eu não gostava muito, mas não tinha jeito. Sabe como é gozação, né? Quanto mais nos importamos a perturbação é ainda maior.Uma coisa marcou aquele ano, um amor. Ela não era muito bonita (já dá pra imaginar, né?). Tinha cabelos loiros e compridos e era magrela e para rimar parecia uma vela. hehehe Eu gostava da infeliz, tanto que juntei uns dias o dinheiro do Chilito do Seu Bil e comprei uma anel fulero e coloquei numa caixinha e perfumei. Não me lembro do cheiro, mas, acho que era podre. hehehe Nunca soube de sua reação, pois não tive coragem de presenteá-la pessoalmente. Fiz a aquela cartinha com uma poesia barata e ingénua. Tá ligado qual é, né? O meu amor por você é bonito como uma flor. Quando eu lembro disso, só dá vontade de rir, kra. Depois desse acontecimento não sei como ficou. O ano acabou e eu nunca tive coragem de dizer a ela o que realmente sentia. hehehe

Eita loucura!

Foi boa, ó!
Valeu Cambada!

Olhos abertos

O asfalto que cobre os caminhos como tapete a desdobra-se. Os carros passeiam, motos fazem barulho, bicicletas marcam os canteiros e pessoas morrem aos montes. Pessoas morrem aos montes! Rezam a mesma ladainha no Senado, acusações e nenhum culpado, e acabam no assim seja, amém! Conselho de Ética, CPI, Cassações e por fim uma pizza de frango com catupiri. Enquanto desfrutam da partilha de uma pizza saborosa a inanição mata crianças, assassina Pais, mães e irmãos. Enquanto castelos e mansões são construídos com dinheiro público, enfrenta fila o povo brasileiro com o objetivo de uma pequena morada conseguir. Enquanto banquetes são ofertados nas mesas dos políticos, sofre e labuta diariamente o trabalhador para o fim do mês o feijão, arroz e o pão não faltar. O jogo de cintura do homem de mãos calejadas, os pés cansados do trabalhador rural. Apesar do descaso, a felicidade, a esperança, a fé dessas pessoas as mantêm acordadas, pois sabem, que dia que despontará é um novo dia, um novo recomeço. No entanto, não podemos apenas fechar os olhos e fingir que não vemos. Vedar os ouvidos e disfarçar que não ouvimos.

Isso é não discurso político.

É só alerta!

Valeu Cambada!