Tens um pedacinho de mim... Um grande pedaço, imensamente grande! A cada mês, a cada dia, tu me levas algo E não há volta, nenhuma devolução Portanto, completamente seu.
O que seria da flor sem seu perfume De um luar sem estrelas O que seria das noites sem os namorados O que seria da pele sem um carinho Digo, o que seria de mim sem você?
De cada pedacinho que não me devolveu De cada beijo que me roubou De cada esperança que plantou Eu sei, tu sabes, já pertencemos um ao outro Já somos um, já nos pertencemos.
Podes me roubar quanto beijos desejares Arrancar-me pedacinho E guardá-los junto ao teu coração Não me incomodarei Desde que, sempre, sempre... Tu sejas sempre minha.
Ser melhores nas adversidades Melhores do que já somos Melhores do que já fomos Um novo começo para um novo fim De pessoas melhores, amores de verdade.
No limite em tudo... No tempo que nos cerca No trânsito incansável... No tráfego frenético E onde vivemos? Qual parcela reservamos para simplismente viver?
Viver de amor, de saudade mansa Viver de poesia Embrigar-se de família, de amigos... O que mais importa senão Importar-se com o que nos torna importantes!
Pensei em um suicídio poético Cortar de vez a veia poética Com um estilete barato, enferrujado de tétano; Enforcá-la quem sabe; Pendurá-la ao pescoço no sobrado da morte.
Assim eu perderia a vida? Deixaria de escrever e de pensar... De amar! Palavras são como farpas cortantes Ora nos ferem, ora nos exaltam Flechas sem rumos, sem destinos.
Eu poderia explodir Coagir ideias, fatos, memórias Pensando bem, meu corpo é coagido De pontos, costuras que unem... Uma carne a outra, um pedaço de pele.
Pois se assim é a vida Que me cala, que me consome, que me consola Eu vou vivê-la de tropeços e acertos De grandes amizades ao meu grande amor De poesia suicida e palavras afiadas.
Escrevo, pois, ela me inspira É como esquecer o tempo Deixar a vida passar como o Chico Com suas curvas, seus levantes e baixas Perceber o sol mais intenso e a noite mais clara.
É contigo com quem divido Tantos sorrisos e poucas lágrimas Carícias, dores e alentos. Molho-te as mãos na minha tristeza Ilumino-te com meu sorriso amarelo.
Ligo-me a ti, desde sempre! Pois, como o rumo traçado, destino. Tu me encontraste, meio entristecido. E de mim arrancou a felicidade E a vontade de continuar.
E a ti não há presente ou dinheiro Que equivalha a tua importância Minha necessidade de tê-la De compatilhar e compor Tudo o nós edificamos.
Vejo-te chorar: Lágrimas que rolam Uma face que se molha Um sertão que chove. Vejo-te, tristemente Meu coração se parte... estilhaço de bala. Prefiro-te o sorriso: Um coração que se abre Uma esperança que invade Um propício desembarque A vida encerrando a morte Amor e calmaria... eternamente
Será o viciado que morre No trago viciado da morte O culpado do crime De estar presente no tempo No exato momento do roubo Será a mãe e os seus seios Que alimentam a fome Enquanto duram o seu despejo.
Talvez, que fosse o profeta Tanta lucidez vanguardista O futuro projeta No retroprojetor das retinas Cansadas de enxergarem o mesmo O viciado, o hipócrita, o sujo A morte nos cantinhos da vida Ácido sulfúrico a corroer a matéria.
Se não são os viciados As mães, os injustiçados Se não são os políticos ficha limpa Se não forem os profetas loucos Se não for o Gentileza Ou o grande maluco beleza De quem será de fato a responsabilidade? Eu, você ou ninguém?
Aumento o som para esquecer a dor A dor de um esquecido Parece estremecer os joelhos Parece impedir meus passos Parece ofusacar o sorriso. Pago tua ida, se fores! Banco as despesas, mesmo miliária Dor dos infernos!
Palavras presas na garganta Espinha de peixe, indócil Engasgam a encher os olhos d'agua Versos entalados Sem um punhado sequer de inspiração.
É uma vontade descontrolada Uma raiva imprópria dos dedos Uma mansidão contrária da mente Inspira(ção) de fato Pulmões inchando no ato respiratório.
Uma pausa que dita o silêncio Um silêncio tão cruel Que chega a formar barulho ensurdecedor Uma teia desconexa de ideias Sem um fio que seja a puxa-las.
Hoje acordei com pensamentos em você Lembrei-me de quando pegava sua mão E saia cambaleando pela casa Com àquela marcha... Lenta Segurava tua mão Como se tua força fosse minha E nós... Um só!
Um momento por favor Basta o silêncio que dure a eternidade Talvez palavras pronunciadas Como as lágrimas dos olhos Cessem o barulho das pálpebras Só um silêncio quieto Que dure passagem da morte.
Um punhado de sabores A tua boca molhando a minha Um trilhão de cores Que o teu olho ilumina e encandeia Um perfume, uma rosa Que teu corpo transpira.
Uns versos lindos Inspirados num raio de luz Molhados de um calor corporal Delicados no grau de uma flor Leve, pluma borboleta A girar, rodopiar na gravidade.
Uns versos simples Do despencar da flor O levante da poeira ao tremer do chão Do beijo apressado Ao arrepio inofensivo da pele Que o corpo preenche.
Versos lindos e simples Que teus olhos me oferecem Que tua presença me desperta Versos de um milhão de cores Em tons de manhã Simples como teu beijo suave.
Fez bem a vida Lembrar-me de um fato De um ato repetitível De uma sessão da tarde De um vale a pena ver de novo?
Esquecer parecem batalhas de sete anos Freud exlplicar-me algo Escutar Zé sem me embaralhar Encarar godizila sem antes me armar Defender canudos e ainda crêr no comunismo.
Fez muito bem a vida Tocar-me os olhos Motrar os caminhos, distantes e distorcidos Fez bem... Quebrar-me os fêmus.
Fez bem a vida Presentear-me além da dor Um amor, uma família Oportunidades de chorar Agradecer e sorrir.
Um milhão de coisas Resumidas em pedaços de olhares Em estilhaços de balas Em pontos de polvora Perfuradas num corpo velho cansado.
Parece que caminhar Incansavelmente por nos esmorecer Parece que correr perseguindo Um sonho, que seja, um devaneio Pode nos fraturar como ossos.
Um milhão de olhares Um milhão de estilhaços; Procuro você em cada curva Em cada ponto de viagem No instante que dura a sua passagem.
Parece que voltar a caminhar No edifica, às vezes, nos reconstrói Remonta os pedaços espalhados Norteia os caminhos perdidos Traz de volta aquele olhar feliz.
São tantas as voltas que a vida dá São tanto os desencontros São tantas as partidas sem voltas Os beijos que se despendem Os abraços que derradeiros confortam.
Partiu essa manhã... Quem dera fosse apenas momentâneo Fosse assim tão fugaz Que em uns dias, semanas O vento trago-os de volta.
Parece que partir Faz parte, está empreguinado Nessa rotina cansativa Nessa locomotiva incansada Nesse terminal de idas e voltas.
Pois, assim, quando a dor Não parte, não promete viagem Quando o instante de choro Parece eterno e incansável O tempo tenta encobrir os ferimentos.
Hoje o dia amanheceu... Claro, radiante e ensolarado. Coisa típica que o cariri desenha Que o cariri impõe Toda vez que os olhos abrimos.
Mais um dia amanheceu E a rotina, rodopia nas 24 horas do dia Para que amanheçamos Tipicamente como o dia anterior Claro, radiante e ensolarada.
A rotina nos cansa amiúde O ócio, faz-nos como relógios Faz-nos como carros de fricção Cansamos e nos impulsionam Com um puxar de ré.
Então, bocejo, preguiça aparente Parece o sono chegar Parece querer estacionar o corpo Jogá-lo num lugar qualquer Mão ou contra mão da rotina de um dia.
Um mundo só onde eu vivo Tão restrito e prescrito Quanto uma solicitação medicamentosa Tão quadrado quando um Dado viciado de um a seis.
É um mundo permanentemente... Só! Tão profundo e cibernético Quando as informações frenéticas Que viajam rapidamente Nas veis óticas, transparente e cristalina.
É um gole de cachaça... Brava Que rasga a garganta no gole Que queima o estômago Que alucina os neurônios Que faz o copo desandar.
É um acesso limpo de soro É uma marcha lenta e escoltada É um livro de poesia inacabado É uma revelação inconstante É uma raio de luz e uma chame de vela.
Quando eu já não for segredo E teus olhos me olharem rapidamente Revelando o desconhecido mundo Trazendo à tona a alegria Da descoberta de um amor escondido.
Quando beijar-te já não for um sonho, Fotografias belas lembranças A carta de amor, fútil nostalgia E o pensamento algo inatingível O sol nascerá mais claro e evidente.
Quando aquecer minhas mãos Com o toque suave e manso das suas; Dormir e acordar serão detalhes Corriqueiros que a vida trilha Pois, tê-la é surrealmente real.
Quando a saudade bater no peito A tristeza tocar o corpo Lembro-me, pois, felizmente Que abriste os olhos essa manhã Contente a viver mais um dia.
Eu canto o canto que ecoa de todos os cantos É o som do mar, do vento do norte Da pedra que quer rolar e inundar o sertão Eu insisto no caboclo a ficar na terrinha Plantar feijão, arroz e milho. Eu canto a procura de Maria Eu faço poesia, boemia, porém Não bebo álcool e nem gasolina.
Além de Maria, chamo por Mariana Uma mistura de mar e Ana De brisa e calor caririense; Danço reisado, pulo cabaçal e cirando Rezo ao meu Padim, a Frei Damião São Francisco e santo Antônio, Levo uma reca de menino e mais a mulher Sem perder a fé e nem a esperança.
Canto por aí nas andanças De um candeeiro que não acaba Nem a chuva é capaz de apagá-lo É o candeeiro solar. A fé nordestina, a vontade de lutar A esperança que não morre jamais Nem na guerra, na fome E nem na falta de chuva.
Grito por aí procurando uma parte de mim Que foi levado, que foi roubado! Falo ainda do sangue derramado Que brotaram rosas, encharcando o ar De perfume, é a negra calunga. De um beijo que o vento levou Forte e leve direto pra Sidha Que em oração transformou.
Pego carona na mobilete de seu Zé Vou a Cajazeiras, rodo Juazeiro Subo o horto e vou a Canindé Em menos de alguns trinta minutos Às vezes prefiro viajar lentamente No compasso dos tropeiros Que partem no amanhecer do dia Tocando a burrarada. www.bandasolnamacambira.com
Penso no dia que minhas pernas Possam sustentar meu corpo cansado Que as muletas, de alumínio arranhado Virem apenas uma vaga lembrança De um compasso já escoltado.
Penso na hora, nos minutos Que andar não se torne um desafio Que equilibrar-me; Seja tão normal e simples Quanto um respirar ofegante.
É tão fútil... Um passo após o outro Um pé depois do outro Um ação de cada vez Uma carga para cada instante.
Penso no dia em que a dor Que tanto o sono perturba Possa meu corpo deixar Eu enfim, poder, aliviado Fazer poesia sem me incomodar.
Se a vida tem que ser assim... Que seja! Que as águas rolem Que as forças fluam Que os fêmus se quebrem Que as lágrimas desçam. Se a vida, sem norte flui Se os dias nascem e morrem Se os fatos ocorrem depressa Se pessoas se despedem e falecem A vida é assim ... Corriqueira.
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim... Suas palavras seriam as mais simples do mundo, porém não sei que luz as iluminaria que terias de fechar teus olhos para as ouvir... Sim! Uma luz que viria de dentro delas, como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel! Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento da Poesia... Como uma pobre lanterna que incendiou!
Muito massa! Para você Linda, não haveria poesia mais adequada! rsrs
Eu trago esses simples versos Como se eles fossem meus sentimentos Como se cada verso, cada pedaço Cada caquinho de poesia Descrevesse o pulsar da emoção.
Cheio de pretensões Porém, desprovido de saberes; Que faça-te feliz Em cada palavra iluminada A clarear o seu dia.
Olhando a minha vida de perto Cadeira de rodas, muletas, pontos, dores... Parece que ainda permaneço longe Ainda na margem de erro Na medida de dispersão!
Ainda fugindo do real; Mesmo após dias que se passaram Carros que já transportaram Salários que já foram pagos Às vezes o imaginário quer reinar.
É fraqueza? É imperfeição? É falta de coragem? Eu não sei, eu não sei! É tão fácil o dizer de Einstein: “Eu só sei o que nada sei”. Mas permaneço aqui isolado de qualquer conclusão.
Hoje acordei e outra parte de mim Foi carregada para longe, distante! Talvez um pedaço de mim ainda esteja caído Jogada no asfaltado ainda frio De uma manhã de sábado de certo ano.
Talvez cada mão que me carregava Que me transportava Uma porcentagem do meu corpo ficava Espalhada, dilacerada, fraturada... Inúmeras divisões, subdivisões de um despedaçado.
Um coração partido ainda pulsando Um olhar quebrado ainda enxergando Uma vida quase interrompida ainda vivendo; Parece que os pontos já foram entregues Parece ser, mas não... Ilusão de ótica.
Foi apenas uma tristeza momentânea Revestida de uma efêmera lembrança Agasalhada de uma nostalgia aparente Um pensamento fugidio De um dia que não sai do inconsciente.