Curta... Linda!

Na TV eu vejo o que os homens dizem
Nos livros um retrato do passado
Na minha poesia
Questionamentos, nostalgia e paixão.
Fecho os olhos para entender
Escrevo o teu nome mil vezes
Fechos e abro os olhos
Anoiteço e amanheço megulhado em você.

Minha linda menina

Bem perto

Quando acordar
Sentir a suadade mansa
Como o vento soprando o ouvido
O som do mar invadindo
Os portões escancarados da alma.

Quero mergulhar
No oceano de mistérios
Àqueles segredos infinitos
Que teu olhar me diz toda tarde
Que tuas mãos aquecem no toque.

Um pedaço de lua
Um pedaço de sol
Ofereço-te divididos
Pois são noites e dias
Sóis e luares
A ficar ao teu lado.

A poesia que escreve teu nome
O som que o prouncia
A lembrança que não cessa
E insiste minuto a minuto
Segundo a segundo
A querer-te por perto.

Minha linda

Não, não chore!

Não chore minha menina!
Digo!
Evite águas rolarem... Despencarem!
Afogarem seus olhos
Na imensidão do teu olhar.

Não baixe a guarda
A flor da manhã há de florir
E o céu azul há de cair
Da terra brotar felicidade.

É inverno nas tuas luas claras
No mar de teus olhos
É seca no chão do quintal
É oração no entrelaçar dos dedos.

Não chore meu amor
Espere o sol se esconder
Bem atrás do infinito
O calor e o suor no teu rosto gelar.

Manda chuva pro sertão, senhora!
Leva-me nas ondas e nos pingos
De volta ao meu lar
Para secar o choro e as lágrimas
Da minha menina que sofre!

O início, o tambor e a vida

Tudo parte do princípio
O início das coisas e dos sons
Das cores e dos sorrisos
De lágrimas contidas
De choros e ladainhas.

O olho que vê
A boca que pronuncia
E ouvidos que se fecham
A notícia do fim
Noticiando clarões
Raios e dias mas iluminados.

Se é o que nos consome
Se é o que nos sentencia
Digo que as forças
Os braços hão de lutar
Até os confins da batalha.

E mesmo que nos calem a boca
Rasquem os escritos, as poesias
Que nos impeçam de pensar e tentar
O coração ainda pulsará vivaz
Na batida do tambor eterno da vida.

Azulejo

O azu-lejo pregado no chão
Pregado na mão... na mente.
Azu-lejo, azul, azulado de céu dominical.
O azu-lejo dos teus olhos
Da tua teia de ideais amores.
Fixado na pele morena
O azu-lejo com teu nome
Em negrito, maísculo e italico!
Todo azul do azu-lejo
Que vejo azuldado.

E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças.

Luís Fernando Veríssimo - Fernandim!

Incrívelmente incrível... Krái que massa!

Mãe

Mãe eu estou de volta!
Cambaleante ainda de dores
Com a marcha lenta, limitada...
Perdoa-me preocupá-la
Com àquelas noites mal dormidas
Das lágrimas pesadas
Que molhavam teu sereno rosto.
Perdoa-me!
Lembra da minha meninice?
Quando o sopro aliviava arranhões na pele?
Sinto falta do teu soprar nas minhas mazelas.
Lembra-se?
Mãe, ainda dói... Dói!
Dói o meu peito, o meu corpo...
Os meus olhos!
Nessas horas peço colo, ombro, beijos...
Peço o teu carinho de filho ferido
Pela teimosia, pelo asfalto ainda frio, pelas palavras
Que às vezes feriam, perfuravam, magoava.
Mãe, não haveria partir sem o seu último adeus!
Não o seu!

Te amo Dona Maria!!

Dor

Essa dor que insiste em doer
Esse peito manso, porém
Cheio de pressa ritmada
No compasso da avenida central.

Dói a carne já machucada, apedrejada;
Injeto calmante pelos ouvidos nessa manhã
Como morfina e analgésicos,
É em vão, menina, em vão!

É àquela canção devagar que penetra
Ora me acalmando os nervos
Ora me entristecendo...
Só quero o alívio imediato da dor.

Pergunto-me... Sempre!
O que direi a Deus
Aos meus amigos, à família
Quando a calmaria vier?

Ela

É o traço do teu rosto, do teu lábio
Que me traz lembranças, fatos
Àqueles dias, tardes em claro
De folhas caídas na praça.

Por favor, minha menina!
Não faz de mim estação
Àquilo que passa, evapora
Transformando-se apenas em mera rotina.

Lembra daquele beijo
Foi ontem, hoje, quando?
Ele se repete aqui ó!
No pensamento uniforme do meu pensar.

Sabe linda, minha força?
Amarrada na sua!
Sabe o meu pensamento?
Totalmente em você.

Minha linda!

Abraço

Eu te abracei fortemente
Como se houvesse despedida
Como se o tempo encerrasse a vida
Como se a vela tivesse perdido
Sua luz e a energia que emana com o calor.

Não houve despedida
Tampouco o encerramento da vida
Nem mesmo o apagar da vela,
Simplesmente calei, emudeci...
Cessei a voz ao te abraçar.

Eu a beijei às pressas
Como se tivesse no peito
A saudade invadida
Como se no peito ritmasse
A palavra acesa da nostalgia.

Veja,
Aqui pulsa apressado
Aqui pulsa um coração
Cheio de vontade
Vivaz porém magoado.

A cidade, o giro e as coisas

A poesia da rua que explode
Que pulsa na vivacidade das pessoas
Que viaja nas veias das meninas
Dos meninos com desejos a flor da pele
Do formigamento dos lábios que pensam
Todas as vezes em tocarem-se.

Eles e elas e o movimento da avenida
Dos carros que sobem e descem
Apressados que cortam e atropelam
O vento que contrário sopra.

Os prédios, casas, vilas e apartamentos
Todos intactos em suas vigas
Fixos em suas raízes sólidas
Cimento e tijolos
Que edificam e abrigam vidas
Que espiam noites de carícias.

O movimento da vida, o giro das coisas
A órbita que rodopia em seu mundo de cores
A cidade que abriga o êxodo
A imigração de sentimentos e ações.

Norteado

Enquanto os segundos passam
A sua ausência se solidifica
Torna-se mais prática!
Meus dedos, minhas unhas...
Sofrem com o roem dos dentes.

Parte de mim é seu
Parte de você permanece íntimo
Tão intimo quanto a poesia, a rima...
O beijo que desbrota em meus lábios
O pesamento que flui ao acordar.

Me perco sempre
Seria andarilho de mundos e cores
Cheiros e tons...
Mas, me encontro, me norteio
Todas as vezes que teu olhar me olha.

Quando o encontro é possibiltado
Quando as mãos, os dedos se tocam
Quando os abraços se aquecem
Quando a saudade se despede
Eu serei mais feliz ao seu lado.

Minha linda!

...

Com os últimos acontecimentos, com os últimos giros da minha vida, com as derradeiras dores, você veio pra tentar consertar tudo. Veio arrumar a cozinha da minha vida! Linda, pensei em você essa noite, assim como o faço todos os dias. Pensei o quanto tornei-me seu e na necessidade em tê-la ao meu lado. Quero estar contigo, sempre!

Minha Linda!

Todos...

Todas as cores de Frida
Todos os olhos de Capitu
Todos os beijos de Linda
Todas as formas de Picasso.
Todo o calor que o sol dispõe
Todo o toque de suas mãos
Todo o pensar de Descartes
Todo o explicar de Froid.
Todo o encanto de Mário
Toda delicadeza de Virgínia
Todos os toques, todos os beijos...
Todos os olhares de Bricce.

Minha Linda!

Ela me diz, sempre!

Eu ouvi a voz:
A voz que gritava ao meu ouvido
Não devo temer, entristecer... Pois
Estás sempre ao meu lado
É uma voz que pulsa
Que acalma e apazigua os nervos
Que nervosos se indagam sempre.
Um som que diz
Um som que fala... Pronuncia-se!
Um som uniforme
Que transforma minhas tardes e os meus dias.
Essa voz sai da sua boca,
Invade meus ouvidos
Dizendo-me baixinho e uníssono
Tudo dará certo,
É tão lindo!

Minha linda...

Àquele olhar

Busco inspiração no último olhar
Olhares trocados e um beijo concedido
De duas bocas que comprimem
Desejos, anseios e medos.
Dois olhares que se fitam e calam
Quando nem as palavras se pronunciam.

Um beijo por seus pensamentos!
O que pensas agora? Qual o teu medo?
Só um olhar se pronuncia,
O mesmo que me olha
Todos os dias, todas as horas
E me encanta amiúde.

E me encanta, e me encanta repetidas vezes...
Como se me encantasse
Sempre pela primeira vez.

Minha linda...

Assim?

É assim! Tem que ser assim?
Um sim solidificado:
Tem que ser assim, pronto!
Perdoa-me o crime
O crime de pensar na morte
De me entristecer com os fatos;
Com minhas dores;
Com minhas nostalgias,
E a monotonia!

Ausência

Hoje acordei e senti a falta
A ausência do calor do beijo
Do toque de suas mãos.
Das palavras ditas
E as trocas de olhares.
Sentir a saudade que invade,
Alavanca o pontão do peito,
Abrindo-o ao frio noturno.
Sentir a saudade que sussurra
Bem no pé do ouvido
Que diz que grita e clama
Silenciosamente e ensurdecedor.

Pois é, pois é, minha linda. Senti sua falta nesse dia, tanto que me rendeu poesia.

Ser

O espelho que reflete
O ser
Assanhado, maquiado
Desfarçado.
Deixa indagações no ar
Pairando
No ar...
Quem reflete no espelho?
Um ser
Que sabe ser
Apenas um ser?

Mais um minuto

Frações de minutos e
Já se passaram horas!
Como o tempo evapora
A sua leve companhia.
Como o tempo voa!
Estrelas brilharam
Sem pressa e monotonia
Sorrisos riram, logo;
Olhos se viram
E nossos lábios
Tocaram-se poeticamente,
Sob a tenda densa
E estrelada
Do céu de um belo dia.
Instante que passa
Que pisca, faísca e some
Beijo que adormece
Acalma, que brinca!
Pensamentos que flutuam
Que lentamente consomem
Que rapidamente
Envolvem-nos.
Menina, linda, mulher!
Vinte duas horas;
Mais dez minutos.
Nenhum minuto
Nenhum minuto
Nenhum minuto
Longe de você!

Minha linda!

Amor e paixão

Linda, meu peito sente
Quando a vejo de longe.
Bate forte, pulsa, galopa...
Explode em bum!

É amor ou paixão?
Afeto ou distração jovial?
Uma aceleração cardíaca
E uma guerra na cabeça.

Perco as idéias quando cedo
Passo e não a vejo sentada
Sinto o seu perfume
Apenas com a antiga lembrança.

É a mor ou paixão?
Acordo pensando
Durmo a pensar
Vivo a sonhar.

Meu Deus!
Dói o peito com a sua ausência
Angustia-me não vê-la
Não me contenho.

Ora, nem nos falamos ainda.
Foi apenas um cumprimento
Oi, como vai?
E um beijo às pressas.

Amor platônico?
Uma vez ouvi dizer:
Amor impossível
Difícil de acontecer.

Tenho de tomar coragem!
Ela sempre me olha
E sempre nos olhamos
Só as palavras que emudecem.

Preciso de uma roupa nova
Um perfume novo
Ela precisa me notar
E enfim poder dizer.

Menina,
Por ti eu tenho uma queda
Desconheço a significação
Entre amor e paixão.

Mas a olho todo dia
Perco o sono e o sonho
Na simples possibilidade
De você não me aceitar.

O que eu sinto menina,
É amor e paixão.
Tormento e calmaria
Bossa nova e rock’n roll.

Perceptível

Entristece-me vê-la tão triste

Meus olhos vêem, meu coração sente.

As palavras não se pronunciam

Os verbos não entram em ação

Mesmo com a intacta pronunciação

Percebo!

Coisas

Tão fugaz quanto um baque
É assim que a vida se esvai
Um baque,uma cortina de fumaça... E pronto!
O fim está determinado
Como uma ordem de tribunal... Incontestável!

Mereço uma cerveja?
Alguns goles baratos de cachaça,
Para disfarçar a ansiedade aparente
A ânsia de quase morrer
Deixar de respirar, contribuir.

Permaneço aqui esperando, intacto!
Um beijo de namorada
Um beijo de despedida, de adeus
Uma carta perfumada
Ou simplesmente, um abraço largo de mãe.

Palavras que antes curavam
E abriam grandes janelas
Que desbravavam
novos horizontes,
Hoje ferem e perfuram como
Flecha certeira e farpa cortante.

Lembrança

Um dia o tempo apaga
Transmutam os pensamentos
Os substitui;
Sei lá por quais:
Namoro, paqueras, matemática?
Mas o tempo o pedreiro da vida
Constroi muros, paredes, muralhas;
Que nos separam
Que nos mantêm distantes
Distância que dura... Duram
Apenas lguns instantes,
Afinal, não se esquece!
As coisas acontecem por acaso? Elas teem de acontecer mesmo, há algum propósito? Essas foram perguntas das quais torturaram e me deram alguns dias de insônia.

Presente ( A Bricce )

O que diriam as estrelas
Se o teu nome mencionasse?
Talvez sorrissem ou intensamente...
Brilhasse semelhante ao brilho
Que emana desses olhos grandes.

Quantos pingos de luzes, quantos segredos.
Quantos olhos que a vêem
Permanecendo intactos de surpresa
Afinal, a beleza que ofusca que envolve
Esconde-se e irradia pelo calor da pele branca.

Olhos encantadores, encantados e iluminados
Que traz emaranhado e confusão
As palavras da poesia
As rimas, verbos e adjetivos;
Que tentam descrevê-la no papel.

Tantos os traços a dizer, a pronunciar
Que desenham teu rosto claro;
Porém, ainda me remeto ao fato,
Ao fato da voz muda das palavras
Que não descrevem a sua beleza.

Bricce...

Perguntei-me qual seria a melhor explicação e a mais pertinente dedicatória. Ora, seria simplesmente fácil apenas dizer: dedico com carinho a Bricce. Gosto da simplicidade das coisas e dos fatos, mas revelo sem erro que essa simplicidade dedicatória não me atrai, afinal, a dedicatória da qual me refiro, necessariamente e obrigatoriamente não seria apenas palavras feitas e decoradas perpetuadas em todos os cartões que acompanham presentes em caixas decoradas com fitas coloridas. Essa deve ser diferente...

Eu queria ter as palavras exatas, talvez as mais belas. Não farei como uma forma de dedicar essas palavras poéticas, mas como uma forma de agradecer todo o apoio nas tardes que voam e diluem-se na sua presença. Bricce, perdão pelas palavras falhas ou desconexas e obrigado por tudo!

Escuridão

A tentar compreender a saudade
A partida muito cedo;
Remeto-me a despedida
O movimento da rua
O vai e vem e o fluxo das coisas.
A saudade que picha as estrelas
Apaga o sol do céu
Trás caos ao vôo dos pássaros
O bater de asas das borboletas
Que pousam no nariz das cidades.

Fim

Quero-a ao meu lado
Mas tu foges sempre;
Aonde tu vais agora?
Aonde será teu novo abrigo
Sua nova casa!
Então o que farei minha linda?
Rompo ligamentos
Desato nós e correntes?
Simplesmente sofro
Simplesmente choro e calo.
E o sonho de outrora
E os planos os cálculos
De dias e domingos juntos...
Será que depositei mais que o devido?
Cobrei demasiadamente?
Perdoa-me as falhas
Os desconcertos,
É o fim!

Gelo

Gela a pele
A pele gelada
A água que pinga
Do pêlo da pele
Do gelo, que gelo
Gélido gelo.

Charles Baudelaire

"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.


Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.


E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira".


Massa ó! Embriagai-vos, embriagaivos-vos... De poesia, de música, de amor, de fé, de amigos, de família...

A voz

Nesses tempos últimos
Onde o medo tem o controle,
A mão dói no ato de escrever,
A língua não se articula
Para dizer as palavras certas.
O corpo inteiro é apertado
Por uma donzela de ferro.
As doenças começam o pânico,
Até que o pânico torne-se doença
O medo se alastra pela velocidade
Pelas armas, pelos riscos, medo
Das coisas que passam velozes
Às vezes um projétil, duma arma de fogo...

Enquanto Profetas e imitadores, aos montes,
Convencem e pregam o ascetismo,
Outros enriquecem do trabalho alheio
Organizam-se em corporações
Mantidos pelo desejo de se manter.
Matam, lucram, Pagam Lucram,
Destroem Lucram, se mostram indiferentes.
E ainda se escondem em pessoas Jurídicas.
As pessoas se cruzam nas ruas, mas não se vêem
Os olhos alheios se olham Até se cegarem.
Ouvem-se os sinos das igrejas
Borboletas batem suas asas
Sopram tufões no mundo
Pássaros voam, Aviões caem do céu,
Ninhos em postes elétricos.
Brotam Flores de metal e arranha-céus
O concreto é enterrado
E crescem árvores sem folhas
Arranhões, marcas, cicatrizes...
As fissuras nas Ficções se fixam nas mentes.
Uma rachadura começa dum ponto e se alastra...
A terra engole a si própria
Tem-se fome, o mundo tem fome,
A fome é autônoma agora,
É o deus do novo mundo
E assume o lugar de tudo.

Wendell Freitas


Esse texto é de meu bródi Wendell. Olha só, vou postar coisa boa no Blog, nos últimos dias tenho só depositado minhas dores... Só enchendo o saco. Eu sou fã desse cara, sem viadagem. Escreve muito! A casa está aberta para seus textos, sempre!!!

Curtam!!

OQ?

O que direi
Depois de tantas dores?
Talvez quem sabe
Eu só...
Emudeça;
Cale!

Desconexo

A carne que dói com o movimento
O tormento da dor e cor
Que escurece as palavras
Que tecem a roupa
Rasgada no asfalto quente.

Segundos de conchilo
Semanas de insônia.
Devo apenas lamentar
Chorar e sorrir?
Querer no tempo retroceder?

Ah, quantas lamurias!
Quantos números
Quantos pontos e costuras;
Pergunto-me sempre
Devo apenas esperar?

As manhãs logo passam
As tardes queimam
Penicam as costas
Eu fico aqui, parado!
Só esperando a dor cessar.

Minha linda!

Um dia a festa termina e recomeça
As pessoas se redescobrem
Morrem e nascem
Acham e perdem-se,
No carlor e mormaço
Desses dias itensos.

Dias passam
Em reduzidos espaços
Dias passam
A anos luzes de seus olhos;
Eu fico me achando
No rastro desse olhar.

Eu fico me perdendo e
Achando-me sempre;
Perdendo e achando!
Perdendo-me no vazios do ócio
Achando-me em seus braços,
Minha linda!

A todos

Hoje acordei
Com as mesmas dores
Dores de outrora
Dores de agora
E dores de amanhã.

Percebi que o enfermo da carne
Crua, nua e arranhada
Doía imensamente;
Porém compreendi
A urgência das coisas e dores.

Depois da ressaca e ais
Pergunto-me se mereço
Manhãs tão belas em momentos adversos
Amigos com asas transparentes
Uma família incodicionalmente, família.

Será preciso sofrer
Para perceber o giro das coisas?
É preciso sentir dor
E perceber que não devo conchilar?
É preciso tudo isso?


DESCULPEM O PESSIMISTO!

Poste

Acordei!
Com a ingênua esperança
De ser apenas um pesadelo.
Um sonho malcriado
Um cochilo apressado.

Um poste, uma queda e dor.
Foi o primeiro a interromper
A ferir-me profundamente.
Quantos postes ainda
Terei de enfrentar?

Ainda mexo as pernas?
Ainda pulsa meu coração?
Sinto dor esmagante;
Choro, arrependo-me
Não durmo mais!

Obrigado minha família pelo apoio incondicional!!!!
Obrigado meus amigos!

Fernando Pessoa e suas pessoas

Texto massa de mais, ó! Tenho de compartilhá-lo, agora!!

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa, O Cara!!

Voz do vento

Talvez o vento sopre
Faça frio e nos acalme
Talvez o vento sopre
Faça frio e nos acorde
Ou no entanto não sopre.

O vento e seus segredos
Conta-me numa tarde dessa?
Revela-me tuas andanças
Faz de mim andarilho
Estradas e caminhos.

Leva pensamentos meus
Os leva a flutuar
Sem culpas e prisões
Grades e muros
Campos e cercas.

Temo e choro,
Quando não me falas...
Nem verdades e mentiras,
Falseios e promessas.
Vento, diz-me...

P.Q.P


Qual das armas nos salvará?
O fuzil apontado pro céu?
Olhar da criança [esperança]...
Lágrimas e acalentos
Da meninice passageira.

A quem caberá a felicidade?
A paz repentina?
Dedos pequenos que
Engatilham lápis e canetas?
Ou fuzis que perfuram corpos?
R o g o as f l o r e s que m o r r e m sem n i n g u é m c o l h ê - l a s

Instante

A vida que morre no instante que nasce
Com o ensejo da ilusão de dias comuns
De minutos sóbrios e sorrisos claros
Como vela acesa que apaga
No derradeiro pingo de cera.

Foi...

Foi entre querer e renunciar que percebi

Que o tanto que dói em querer

É o mesmo tanto que dói em renunciar!

Porém, a dúvida da escolha junto à escolha errada,

Não só dói, mas leva a enfermidade do arrependimento.